Retrato de Walfredo Antunes, arquiteto e urbanista.
Retrato de Walfredo Antunes, arquiteto e urbanista.
Fonte: PREFEITURA DE PALMAS, 2025. Disponível em: https://www.palmas.to.gov.br/nota-de-pesar-arquiteto-e-urbanista-walfredo-antunes/. Acesso em: 15 mar. 2025.
“Nós escolhemos o traçado ortogonal. (…) Porque é um traçado que proporciona uma mobilidade mais conveniente entre todas as suas partes. É um traçado usado desde a mais longínqua antiguidade, pelos assírios, os egípcios. [Os romanos] projetavam as cidades com base em vias paralelas a essa passagem e em vias que cruzavam de modo ortogonal para dar acesso a todas elas. O que gerava um traçado mais quadriculado” (G1 Tocantins, 2025).
Walfredo Antunes faleceu na sexta-feira (14), em Goiânia (GO), aos 76 anos, após um período internado tratando um câncer no pâncreas. O arquiteto morava em Palmas, onde teve uma longa trajetória, atuando na prefeitura e como professor por 20 anos na Universidade Federal do Tocantins. Walfredo Antunes de Oliveira Filho foi uma figura central na criação de Palmas, adotando princípios urbanísticos inspirados na antiguidade. Em entrevista ao g1, sua irmã, Glacy Antunes de Oliveira, recordou as diversas qualidades do urbanista. De acordo com a família, ele faleceu devido a uma insuficiência respiratória. O velório ocorrerá neste sábado (15), a partir das 13h, no Cemitério Santana, em Palmas. Walfredo deixa duas filhas.
Como arquiteto, Walfredo teve um papel fundamental na fundação de Palmas. Após 35 anos desde a sua criação, a cidade é reconhecida pela simetria de suas ruas e avenidas, resultado de um planejamento urbano que sempre priorizou a mobilidade da população.
Instalação da capital e simetria
No início da década de 1990, Walfredo Antunes de Oliveira Filho e Luís Fernando Cruvinel Teixeira foram os responsáveis por definir o território para a construção da capital tocantinense. Eles tinham a opção de escolher entre uma cidade já existente ou criar uma nova do zero. Araguaína e Gurupi foram inicialmente cogitadas, mas descartadas devido a conflitos relacionados à mineração e à forte influência de Goiás sobre o Tocantins.
De acordo com Walfredo Antunes, “Era um quadro de 90 por 90 quilômetros em uma região que não tinha muitas cidades, era mais uma espécie de vazio urbano. E parecia, por dados técnicos e empíricos, que localizar a capital neste local provocaria um equilíbrio da região urbana e não o contrário” (G1 Tocantins, 2025). Explicou o urbanista. A escolha então recaiu sobre a margem direita do Rio Tocantins, próxima à Serra do Lajeado, perto do antigo povoado de Canela. A decisão levou em conta a cota de inundação da área.
Walfredo Antunes — Foto: Divulgação/Prefeitura de Palmas
“Nesse processo, aprofundamos nossos estudos até percebermos que essa área no pé da Serra, com sua topografia favorável e uma superfície plana/semiplana, ligeiramente inclinada da Serra para o rio, seria ideal. Sabíamos que uma represa seria construída, com a cota de inundação prevista para 212 metros. Calculamos a largura entre a Serra e essa cota e acreditamos que poderíamos estabelecer um plano urbanístico linear para essa região” (G1 Tocantins, 2025).
Foi justamente devido a essas decisões que a capital possui uma malha urbana em formato de quadras. As quadras foram inicialmente planejadas para ter 700 metros de lado a partir de seu centro, mas essa medida foi diminuída pela metade em função das condições climáticas.
Segundo o arquiteto, “Reduzimos essa medida pela metade, porque uma coisa é você caminhar em um clima temperado e outra é você caminhar sobre o sol do equador e sobre as chuvas que temos aqui. Então, decidimos fazer o ponto médio com 350 metros” (G1 Tocantins, 2025).
Já a região Sul de Palmas, que atualmente inclui os Jardins Aurenys I, II, III e IV, Jardim Taquari e a área de Taquaralto, não fazia parte do planejamento inicial da capital.
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