O prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira, 25 de junho, durante a 10ª fase da Operação Sisamnes. A ação investiga um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para beneficiar investigados. Também foram detidos o policial civil Marcos Albernaz e o advogado Antonio Ianowich Filho.
Acusações e Mandados
A prisão temporária de Siqueira Campos (5 dias) e dos demais foi autorizada pelo ministro do STJ Jorge Mussi, com base em provas de que integrariam uma organização criminosa especializada em acessar dados confidenciais de inquéritos em segredo de justiça. Segundo a PF, o grupo atuava para:
- Frustrar operações policiais;
- Ocultar provas;
- Proteger investigados em processos criminais.
Diálogos interceptados indicam que Siqueira Campos recebeu informações privilegiadas sobre operações da PF, conforme consta no mandado judicial. Em uma mensagem, ele mencionou ter obtido detalhes “diretamente de um ministro do STJ” — referindo-se a João Otávio de Noronha, sobre uma operação em 2020. Noronha não é investigado nesta fase.
Contexto da Operação Sisamnes
A Sisamnes, iniciada em 2023, apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência no STJ e em tribunais estaduais. O foco desta fase é o vazamento de dados de sistemas internos do tribunal, possivelmente com participação de servidores. Entre os alvos estão inquéritos sobre crimes financeiros, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A PF destacou que as informações vazadas comprometiam investigações em curso, permitindo que alvos adulterassem provas ou fugissem. Além das prisões, foram cumpridos 5 mandados de busca e apreensão no Tocantins, Distrito Federal e Rio de Janeiro.
Reações e Desdobramentos
A Prefeitura de Palmas emitiu nota afirmando que Siqueira Campos “colaborará com as investigações” e que o caso “não guarda relação com sua gestão municipal”. O prefeito está afastado das funções enquanto responde à ação.
O STJ reforçou que “coopera integralmente com as investigações” e que adota protocolos rígidos contra acessos indevidos. Já o Ministério Público Federal (MPF) sinaliza que novos desdobramentos podem surgir após análise dos materiais apreendidos.
Próximos Passos
Os presos serão interrogados e encaminhados ao sistema prisional. A defesa de Siqueira Campos ainda não se manifestou publicamente. O caso segue sob sigilo, com possibilidade de novas fases da operação conforme a PF avalie a necessidade de expandir as investigações.
Nota da Redação
As informações desta reportagem basearam-se em documentos judiciais, notas oficiais da PF, STJ e Prefeitura de Palmas, além de cobertura jornalística consolidada. Todos os investigados respondem aos processos sob presunção de inocência, conforme garantia legal.
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