O Primeiro Comando da Capital (PCC), nascido nos presídios paulistas na década de 1990, não é mais apenas uma facção criminosa brasileira. Hoje, opera em 28 países, movimenta bilhões de reais e financia organizações terroristas como o Hezbollah, do Líbano. Enquanto o Brasil patina na criação de uma lei antimáfia, a facção consolida um império transnacional que ameaça a segurança global. A denúncia parte de vozes como a do promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que alerta: o PCC já não tem fronteiras.
Um império movido a cocaína
No seminário “Crime Organizado e Mercados Ilícitos”, realizado em junho de 2025 na USP, Gakiya expôs a dimensão do problema. “O PCC pratica atos de natureza terrorista”, afirmou. A facção, segundo ele, encontrou no narcotráfico asiático uma mina de ouro. Um quilo de cocaína comprado na Bolívia por US$ 800 é revendido na Ásia por até US$ 150 mil. Essa margem de lucro astronômica sustenta uma rede global que vai da América do Sul à Europa, passando pelo Oriente Médio.
No seminário “Crime Organizado e Mercados Ilícitos”, realizado em junho de 2025 na USP, Gakiya expôs a dimensão do problema. “O PCC pratica atos de natureza terrorista”, afirmou. A facção, segundo ele, encontrou no narcotráfico asiático uma mina de ouro. Um quilo de cocaína comprado na Bolívia por US$ 800 é revendido na Ásia por até US$ 150 mil. Essa margem de lucro astronômica sustenta uma rede global que vai da América do Sul à Europa, passando pelo Oriente Médio.
A operação do PCC é sofisticada. No Brasil, a facção usa portos como o de Santos para escoar drogas à Europa. Na Bolívia e no Paraguai, controla rotas terrestres e casas de câmbio que lavam dinheiro. Em Hong Kong e Dubai, centros financeiros globais, o grupo movimenta cerca de R$ 6 bilhões por ano através de fintechs fantasmas, como o 2GO Bank. “O dinheiro sujo se mistura ao lícito em empresas reais, que operam com eficiência”, explica Gakiya.
Alianças perigosas com o terrorismo
O alcance do PCC vai além do tráfico. A facção firmou parcerias com grupos como o Hezbollah, classificado como organização terrorista pela ONU. Nos portos brasileiros, o PCC atua como “facilitador logístico”, enviando cocaína à Europa e repassando parte dos lucros ao grupo libanês. Essa conexão, segundo investigadores, financia atividades que desestabilizam o Oriente Médio e ameaçam a segurança global.
O alcance do PCC vai além do tráfico. A facção firmou parcerias com grupos como o Hezbollah, classificado como organização terrorista pela ONU. Nos portos brasileiros, o PCC atua como “facilitador logístico”, enviando cocaína à Europa e repassando parte dos lucros ao grupo libanês. Essa conexão, segundo investigadores, financia atividades que desestabilizam o Oriente Médio e ameaçam a segurança global.
Na Europa, o PCC também colabora com a ‘Ndrangheta, a temida máfia italiana. Juntos, os grupos operam no tráfico de armas e na lavagem de dinheiro. Giovanni Melillo, procurador antimáfia da Itália, é categórico: “A conexão PCC-‘Ndrangheta é uma ameaça às instituições democráticas. Precisamos de ações transnacionais para combatê-la”. A facção brasileira já marca presença em Portugal, Holanda e Espanha, onde investe em imóveis de alto padrão, clubes de futebol e casas de câmbio.
Lavagem de dinheiro em larga escala
O sucesso do PCC está na capacidade de lavar quantias colossais. Em 2025, a Operação Hydra, conduzida pelo Gaeco, desmontou um esquema que movimentou R$ 6 bilhões por meio de fintechs não reguladas, como a InvBank. Contas de laranjas e transferências internacionais ocultavam a origem dos recursos. Além disso, a facção infiltrou-se em setores como igrejas, transporte público e até saúde pública, usando empresas legítimas para camuflar lucros ilícitos.
O sucesso do PCC está na capacidade de lavar quantias colossais. Em 2025, a Operação Hydra, conduzida pelo Gaeco, desmontou um esquema que movimentou R$ 6 bilhões por meio de fintechs não reguladas, como a InvBank. Contas de laranjas e transferências internacionais ocultavam a origem dos recursos. Além disso, a facção infiltrou-se em setores como igrejas, transporte público e até saúde pública, usando empresas legítimas para camuflar lucros ilícitos.
Os números impressionam. Segundo o Gaeco, negócios irregulares como venda de ouro, cigarros e combustíveis geram R$ 146,8 bilhões por ano, superando o faturamento do tráfico de cocaína, estimado em R$ 15 bilhões. Para se ter uma ideia, os R$ 6 bilhões lavados anualmente pelo PCC equivalem ao orçamento de cidades como Santos.
A lei antimáfia que não sai do papel
Diante desse cenário, Lincoln Gakiya defende a criação de uma agência federal antimáfia, inspirada no modelo italiano. A proposta, apresentada em 2024, prevê a tipificação do crime de “organização mafiosa” e a centralização de investigações contra lavagem de dinheiro. O objetivo é permitir o bloqueio preventivo de bens e desmantelar as estruturas financeiras do crime organizado.
Diante desse cenário, Lincoln Gakiya defende a criação de uma agência federal antimáfia, inspirada no modelo italiano. A proposta, apresentada em 2024, prevê a tipificação do crime de “organização mafiosa” e a centralização de investigações contra lavagem de dinheiro. O objetivo é permitir o bloqueio preventivo de bens e desmantelar as estruturas financeiras do crime organizado.
No entanto, o projeto enfrenta entraves. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, que aborda apenas aspectos parciais do problema, ofuscou a iniciativa. Disputas entre polícias federal e estaduais também atrasam a aprovação, com divergências sobre quem lideraria as investigações. “O Brasil combate o crime no nível tático, com Rambos enfrentando ‘pés-de-chinelo’, enquanto o PCC age estrategicamente”, critica Melillo.
A resposta internacional e o custo da inação
Na Europa, a resposta ao avanço do PCC é mais ágil. Investigadores em Portugal e Holanda rastreiam investimentos da facção em setores estratégicos, enquanto a Espanha monitora remessas enviadas por faccionados no Paraguai. Melillo insiste na cooperação internacional:
Na Europa, a resposta ao avanço do PCC é mais ágil. Investigadores em Portugal e Holanda rastreiam investimentos da facção em setores estratégicos, enquanto a Espanha monitora remessas enviadas por faccionados no Paraguai. Melillo insiste na cooperação internacional:
“Só derrotaremos a máfia com ações conjuntas. O PCC financia o Hezbollah, que ameaça a Europa”.
No Brasil, porém, a ausência de uma estratégia unificada cobra um preço alto. O PCC já controla 13 setores da economia nacional, de combustíveis a transporte público. Sem uma agência antimáfia, o país permanece vulnerável. “Somos reféns de um crime que não tem mais nacionalidade”, resume Gakiya.
A expansão do PCC revela a urgência de medidas eficazes. Enquanto o projeto de lei antimáfia segue parado no Ministério da Justiça, a facção consolida seu poder, financia o terrorismo e desestabiliza instituições em escala global. O Brasil precisa decidir: continuar reagindo taticamente ou enfrentar o crime organizado com a mesma sofisticação estratégica que ele emprega. O custo da inação é um futuro em que o PCC, já sem fronteiras, dite as regras.
FONTES:
– Estadão
– CNN Brasil (Operação Hydra)
– Ministério Público de São Paulo e Gaeco (Declarações de Lincoln Gakiya)
– Procuradoria Italiana (Declarações de Giovanni Melillo)
– Estadão
– CNN Brasil (Operação Hydra)
– Ministério Público de São Paulo e Gaeco (Declarações de Lincoln Gakiya)
– Procuradoria Italiana (Declarações de Giovanni Melillo)
NOTA DA REDAÇÃO:
Os R$ 6 bilhões lavados pelo PCC equivalem ao orçamento anual de cidades como Santos, dados atualizados em julho de 2025.
Os R$ 6 bilhões lavados pelo PCC equivalem ao orçamento anual de cidades como Santos, dados atualizados em julho de 2025.
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