História do jalapão estado do Tocantins

Jalapão é conhecido pelas belezas naturais e seus vários pontos turísticos e curiosidades, como os “fervedouros”, que são minas de água que jorram com força suficiente para que uma pessoa não afunde em seu interior. Outro ponto turístico bastante interessante da região são as Dunas, um local muito visitado, especialmente por aqueles que buscam admirar o pôr do sol. Atualmente, a região possui boa infraestrutura para turistas nas cidades, sobretudo em Mateiros e Ponte Alta do Tocantins. Já as estradas oferecem pura diversão para quem procura aventura.
Território
A região do Jalapão, localizada no estado do Tocantins, possui uma formação geológica que remonta a milhões de anos. Há cerca de 350 milhões de anos, a área era o fundo de um oceano, mas com o tempo, mudanças climáticas e atmosféricas afastaram o mar, o que resultou nas paisagens atuais. As rochas presentes na região são sedimentares, datadas do período cretáceo, com cerca de 135 milhões de anos. Além disso, o nome “Jalapão” deriva da planta conhecida como “batata de purga” (Ipomoea purga Hayne), uma espécie nativa do Brasil (ICMBio, 2025).
Os municípios que compõem o Jalapão são: Mateiros, Novo Acordo, Ponte Alta do Tocantins, São Félix do Tocantins, Lizarda, Rio Sono, Santa Tereza do Tocantins e Lagoa do Tocantins. Porém, as cidades de Mateiros, Ponte Alta do Tocantins e São Félix do Tocantins são as principais bases para os turistas que visitam o Jalapão.
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Sua geografia varia do cerrado baixo à campina, com veredas onde é encontrado o capim dourado (Syngonanthus nitens). Matas de galeria surgem próximas a rios, cachoeiras, lagoas, dunas de areia, serras e chapadões de até 800 metros de altura. A região é cortada por rios, riachos e ribeirões, e a temperatura média é de 30°C. O Aquífero Urucuia é de extrema importância para o Jalapão, pois é uma das principais fontes de abastecimento de água para a região. Ele é uma importante formação geológica localizada no Brasil, que se estende por diversas regiões, incluindo partes dos estados de Minas Gerais, Goiás, Bahia e Tocantins. Trata-se de um reservatório subterrâneo de água doce, responsável por abastecer diversas cidades e atividades econômicas, como a agricultura e a pecuária.
A Região do Jalapão, no Tocantins, é drenada pelo rio do Sono, que corta diversas formações geológicas, como o Grupo Urucuia, Sambaíba e Pedra-do-Fogo, com destaque para os arenitos e calcários de diferentes origens. A área é rica em geomorfossítios, como serras, cânions, cachoeiras, fervedouros e dunas. As serras, como a do Espírito Santo, são formadas por relevos residuais e atraem turistas para atividades como a observação do nascer do sol. Os cânions, como os de Sussuapara, possuem um microclima peculiar, enquanto as cachoeiras, como a da Velha, surgem devido a falhamentos geológicos. Os fervedouros são poços de água borbulhante, e as dunas são formadas por erosão eólica e laminar. A crescente exploração turística tem gerado preocupações ambientais, como o assoreamento e a poluição dos corpos hídricos. O número de visitantes no Jalapão aumentou significativamente entre 2016 e 2017 (Brasil, 2014; Cristo et al., 2013; Santos & Possapp, 2013; Bartorelli et al., 2010; G1 Tocantins, 2017).
Povoamento
A ocupação humana na região do Jalapão é antiga, remontando a populações pré-históricas. Nos séculos XVII e XVIII, a área foi habitada por diversas etnias indígenas, como os Acroá, os Xerente e, ao sul, os Xacriabá. Posteriormente, ocorreu o desbravamento de bandeirantes oriundos de São Paulo e as entradas originárias do Nordeste, principalmente de Salvador, na Bahia. Garimpeiros, vaqueiros nordestinos e comunidades quilombolas também migraram para a região..
Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a presença humana no Jalapão pode ser dividida em três períodos distintos. O primeiro período compreende as ocupações feitas por grupos pré-históricos e indígenas; o segundo, pelas frentes pecuaristas e imigrantes que se envolviam em atividades como comércio, transporte, caça e extrativismo, incluindo famílias negras que fundaram o Município de Mateiros, onde se localiza a Comunidade Tradicional de Mumbuca; e o terceiro, as ocupações mais recentes, realizadas por turistas, empresários e ambientalistas, atraídos pela proximidade com Palmas e outros municípios (ICMBio, 2025).
Capim Dourado
A colheita do capim dourado é regulamentada para garantir o manejo sustentável do capim e contribuir para a preservação da planta. A Lei Estadual nº 3.594/2019 do Tocantins regulamenta o manejo do capim dourado. A retirada do capim dourado no Tocantins ocorre entre os campos úmidos do Jalapão, sendo feita de forma manual e cuidadosa. Conforme a Lei nº 15.050/2024, que confere ao Município de Mateiros, no Estado do Tocantins, o título de “Capital Nacional do Capim Dourado.”
“A técnica de costurar pequenos molhos de hastes (escapos) de capim dourado com “seda” de buriti (Mauritia flexuosa Mart., Arecaceae) em feixes concêntricos que caracteriza o artesanato de capim dourado do Jalapão tem origem indígena. A confecção artesanal iniciou-se na região há cerca de 80 anos quando “índios que vinham do lado do Araguaia” passaram pelo Povoado da Mumbuca e ensinaram “Seu” Firmino, morador do Povoado, a “costurar capim” com seda de buriti (SCHMIDT, 2005, p. 23).
“O artesanato de capim dourado chegou ao Jalapão em meados de 1920 pelas mãos de índios Xerente. A arte foi aprendida por moradores da comunidade quilombola da Mumbuca e, desde então, é passada de geração em geração nas comunidades jalapoeiras (CATÁLOGO, 2014, p. 2).”
A comunidade quilombola de Mumbuca surgiu da miscigenação entre índios Xerente e negros oriundos do sertão baiano. O artesanato em capim dourado tem sido transmitido de geração em geração, preservando suas técnicas tradicionais. Segundo relato de Guilhermina Ribeiro da Silva, conhecida como Dona Miúda, sua mãe aprendeu as técnicas com os índios (SCHMIDT, 2005, p. 23). A tradição do artesanato em capim dourado foi iniciada por Laurinda, uma das anciãs da comunidade, e continuada por sua filha, Dona Guilhermina (DEFENSORIA, 2025). Dona Miúda foi fundamental na popularização do artesanato em capim dourado no quilombo de Mumbuca, no Tocantins. A influência da cultura indígena na comunidade vai além do artesanato, refletindo-se também no nome “Mumbuca”, que, na língua indígena local, significa “abelha azul”.
As principais unidades de conservação ambiental no Jalapão
As unidades de conservação ambiental no Jalapão desempenham um papel crucial na preservação da biodiversidade da região. Entre elas, destacam-se o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, que abrange os estados do Maranhão, Piauí, Bahia e Tocantins, o Parque Estadual do Jalapão, com mais de 158 mil hectares em Mateiros, e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Jalapão, que cobre mais de 400 mil hectares. Também se destacam o Monumento Natural dos Canyons e Corredeiras do Rio Sono e a Reserva Particular do Patrimônio Natural Catedral do Jalapão, sob gestão privada. O Mosaico do Jalapão, que envolve diversos estados, promove a gestão integrada de áreas protegidas. Além disso, o Projeto Corredor Ecológico da Região do Jalapão visa conectar as áreas protegidas, fortalecendo a conservação ambiental local.
A economia do Jalapão
O Jalapão, localizado no estado do Tocantins, é uma das principais atrações turísticas da região, destacando-se pela sua beleza natural. Seu potencial econômico tem crescido, com um número significativo de hotéis em Palmas e cerca de 50 empresas que dependem do turismo local (GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS, 2025). Além disso, a região abriga latossolos, como na Chapada das Mangabeiras, propícios para a agricultura, e foi um dos primeiros locais de entrada do gado no estado. A pecuária, com a introdução de raças mais adaptadas ao bioma local, como o curraleiro Pé-Duro, é uma atividade presente no Jalapão, que também favorece o cultivo de hortaliças, grãos e cana-de-açúcar devido à sua altitude diferenciada (GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS, 2025).
Mateiros, um município do Jalapão com cerca de 2.748 habitantes, é um exemplo de local que vive principalmente da agricultura de subsistência e do artesanato (GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS, 2025). A região do Jalapão também está inserida no Matopiba, destacando-se pela produção de soja em Mateiros. No entanto, o crescimento da região e a exploração de seus recursos naturais têm gerado impactos ambientais, como desmatamento, queimadas descontroladas, irregularidades fundiárias, mudanças climáticas, aridez crescente. Esses fatores são apontados por organizações ambientalistas como grandes desafios para a sustentabilidade da região.
Autoras de viés progressistas e ambientalistas afirmam que o avanço do neoliberalismo no Brasil, especialmente no Matopiba, impulsionou a agroexportação e a produção de commodities, gerando desigualdade, precarização do trabalho e destruição ambiental. Populações tradicionais foram deslocadas, resistindo ao modelo de desenvolvimento imposto pelo agronegócio. A região do Matopiba, última fronteira agrícola, exemplifica essa expansão econômica e exploração territorial.
Referências:
BRASIL. Geologia e Geomorfologia do Jalapão. IBGE, 2014.
BARTORELLI, Andrea et al. Dinâmica das Dunas do Jalapão. Revista de Geomorfologia, v. 12, n. 4, 2010.
CATÁLOGO CAPIM DOURADO. Design popular do Jalapão: Manejo comunitário sustentável. Disponível em: https://www.sempremuitos.com.br/. Acesso em: 22 jun. 2014.
CRISTO, G. F.; ROBAINA, M. S.; MORAIS, C. R. Fervedouros do Jalapão. Editora Universitária, 2013.
DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO TOCANTINS. Com a DPE-TO, Festa da Colheita do Capim Dourado celebra tradição e cultura dos quilombolas. Disponível em: https://www.defensoria.to.def.br/noticia/com-a-dpe-to-festa-da-colheita-do-capim-dourado-celebra-tradicao-e-cultura-dos-quilombolas#:~:text=O%20Capim%20Dourado%20%C3%A9%20um,carinhosamente%20conhecida%20como%20Dona%20Mi%C3%BAda. Acesso em: 6 mar. 2025.
G1 TOCANTINS. Turismo no Jalapão Cresce mais de 20%. G1 Tocantins, 2017. Disponível em: https://g1.globo.com/to. Acesso em: 6 mar. 2025.
GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS. Jalapão. Disponível em: https://jalapaotocantins.to.gov.br/. Acesso em: 6 mar. 2025.
ICMBio. Socioeconomia. Disponível em: https://www.icmbio.gov.br/projetojalapao/pt/socioeconomia.html?showall=1&limitstart=. Acesso em: 6 mar. 2025.
SCHMIDT, Isabel Belloni. Etnobotânica e ecologia populacional de Syngonanthus nitens: sempre-viva utilizada para artesanato no Jalapão, Tocantins. 2005.
SANTOS, F. A.; POSSAPP, R. A. Fervedouros e Ecoturismo no Jalapão. Revista Brasileira de Geografia, v. 79, n. 3, 2013.
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