Antes da chegada dos colonizadores, a Ilha do Bananal já era habitada por povos originários que, em sua maioria, ainda vivem na região. Os principais grupos indígenas atualmente presentes na ilha são os Karajá, os Javaé, os Avá-Canoeiro e, ocasionalmente, os Tapirapés, oriundos de outros estados, mas com presença esporádica na área. Esses povos mantêm viva sua cultura, com destaque para a tradicional Festa do Hetohoky, celebrada pelos Karajá e Javaé, além da produção das bonecas Ritxòkò, reconhecidas como patrimônio cultural do Brasil (Pinheiro, 2019).

A ocupação da Ilha do Bananal pelos colonizadores começou em 1773, quando o sertanista José Pinto Fonseca a descobriu e a nomeou inicialmente como “Ilha Sant’Ana”. O nome atual surgiu em decorrência da abundância da bananeira-do-mato na região. A ilha está localizada entre os rios Araguaia e Javaé, no estado do Tocantins, e compreende os municípios de Formoso do Araguaia, Lagoa da Confusão e Pium (Portal Amazônia, 2023). Em 1959, a Ilha do Bananal foi reconhecida como reserva ambiental, e, posteriormente, em 1993, foi declarada Reserva da Biosfera pela UNESCO. Também integra a lista de Zonas Úmidas de Importância Internacional, conforme a Convenção de Ramsar, devido à sua relevância ecológica (Portal Amazônia, 2023).

A parte norte da ilha corresponde ao Parque Nacional do Araguaia, enquanto a parte sul está localizada dentro da Terra Indígena do Araguaia. Com suas extensas áreas alagáveis e rica biodiversidade, a ilha oferece grande potencial para o turismo ecológico, especialmente pela prática de pesca esportiva e observação de fauna silvestre, incluindo jacarés, onças e veados (Nascimento et al., 2021).
O entorno da ilha também tem relevância histórica e econômica. O município de Formoso do Araguaia teve sua origem ligada à busca por cristais. Atualmente, é reconhecido pela produção de arroz e pela criação de gado, possuindo o segundo maior rebanho bovino do estado. Pium, por sua vez, foi fundado durante o ciclo de exploração do quartzo e desenvolveu-se com a chegada de fazendeiros, criadores de gado e pequenos agricultores, que se estabeleceram na região em função da fertilidade do solo e do acesso ao rio Araguaia, essencial para o escoamento da produção. Com o tempo, a economia de Pium, antes baseada na pecuária extensiva, diversificou-se (Pium, 2025). Já a história de Lagoa da Confusão começou em 1933, com a chegada das primeiras famílias. O nome do local é atribuído às dificuldades de acesso à lagoa, cercada por pântanos e serras. A descoberta de jazidas de calcário na década de 1950 impulsionou o povoamento, que se consolidou com a emancipação política do município, oficializada em 1991. Atualmente, Lagoa da Confusão destaca-se como maior produtora de arroz irrigado do estado (Lagoa da Confusão, 2025).
Apesar de sua importância ambiental e cultural, a Ilha do Bananal enfrenta desafios contemporâneos. Um dos principais pontos de conflito é a criação de gado na região. Embora permitida em determinadas condições, como parte de acordos entre indígenas e o Ministério Público Federal, a prática tem gerado controvérsias. A Justiça determinou a retirada de rebanhos criados ilegalmente, e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) classificou a situação como um “descontrole total” (G1 Tocantins, 2025). Essas tensões ilustram o delicado equilíbrio entre preservação ambiental, respeito aos direitos indígenas e pressões econômicas que incidem sobre a maior ilha fluvial do planeta.
Referências
G1 TOCANTINS. Indígenas devem retirar gado arrendado da Ilha do Bananal: “Descontrole total”, diz Ibama. Publicado em 05 fev. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2025/02/05/indigenas-devem-retirar-gado-arrendado-da-ilha-do-bananal-descontrole-total-diz-ibama.ghtml. Acesso em: 10 abr. 2025.
LAGOA DA CONFUSÃO. História do município. Disponível em: https://www.lagoadaconfusao.to.gov.br/pagina/cidade. Acesso em: 10 abr. 2025.
NASCIMENTO, Renan Loureiro Xavier; SOUZA, Camilo Cavalcante de; OLIVEIRA, Marcos Antonio das Neves de (Orgs.). Caderno de caracterização: estado do Tocantins. Brasília, DF: Codevasf, 2021.
PINHEIRO, Renato Torres. Biodiversidade na região da Ilha do Bananal. Tocantins: EDUFT, 2019. 149 p. Disponível em: http://download.uft.edu.br/?d=33492630-a67b-4632-b389-de69781fb26b. Acesso em: 30 ago. 2021.
PIUM. História do município. Disponível em: https://www.pium.to.gov.br/?meio=171501. Acesso em: 10 abr. 2025.
PORTAL AMAZÔNIA. Ilha do Bananal. 2023. Disponível em: https://portalamazonia.com. Acesso em: 10 abr. 2025.
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