Palmas, TO – Em celebração ao Dia dos Povos Indígenas, comemorado em 19 de abril, o Governo do Tocantins, por meio da recém-criada Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot), divulgou em 16 de abril de 2025 uma matéria que destaca as ações e a rica diversidade dos povos originários do estado. Com investimentos em educação, sustentabilidade, cultura, proteção social e valorização, o governo busca fortalecer as comunidades que são a essência da história brasileira.
Os povos originários, também conhecidos como povos indígenas, são os descendentes diretos das populações que habitavam o território nacional antes da colonização. A Constituição Federal do Brasil assegura a esses povos o reconhecimento de sua organização social, línguas, crenças, costumes, tradições e os direitos sobre as terras tradicionalmente ocupadas.
No Tocantins, a Sepot, criada em janeiro de 2023, tem como um de seus objetivos primordiais a realização de um diagnóstico aprofundado sobre a situação atual das populações indígenas. Dados do Censo de 2022 revelam que 20.023 pessoas se autodeclararam indígenas no Tocantins, representando 1,32% da população estadual. Desse total, impressionantes 75,9% (15.213 pessoas) residem em terras indígenas, um número significativamente superior à média nacional de 36,7%, posicionando o Tocantins em destaque na garantia territorial.
A presença indígena no estado é abrangente, com comunidades em 125 dos 139 municípios. Tocantínia lidera em população indígena (4.086), seguida por Goiatins (2.650), Tocantinópolis (2.352), Lagoa da Confusão (2.340) e Formoso do Araguaia (1.633). A cidade de Tocantínia também se sobressai pela maior proporção de indígenas em relação ao total da população local, com 54,8%. O Parque Araguaia é a Terra Indígena mais populosa do estado, abrigando uma vasta diversidade étnica.

Um Mosaico de Culturas: As Etnias Indígenas do Tocantins
O Tocantins é habitado por pelo menos 16 etnias distintas, cada uma com sua história, saberes e modos de vida. Conheça algumas delas:
Iny Javaé
- Origem: Os Javaé, assim como os Karajá e Xambioá, habitam o vale do rio Araguaia desde tempos imemoriais, especificamente no médio curso, na Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo.
- Residência: Principalmente na Ilha do Bananal, no vale do Rio Araguaia.
- Cultura: Autodenominados Iny (“gente” ou “ser humano”), eles também se chamam Itya Mahãdu (“o povo do meio”) e Ahana Òbira Mahãdu (“o povo de fora”). São notáveis por sua capacidade de resiliência cultural, mantendo aspectos essenciais de sua estrutura social, ritual e cosmológica, mesmo diante de drásticas mudanças históricas.
Iny Karajá
- Origem: São habitantes seculares das margens do rio Araguaia, com presença histórica nos estados de Goiás, Tocantins e Mato Grosso.
- Residência: Vivem nas margens do rio Araguaia, com aldeias na Ilha do Bananal.
- Cultura: Os Karajá, que se autodenominam Iny (“nós”), preservam a língua nativa (Iny, do tronco Macro-Jê), as bonecas de cerâmica RITXÓKÓ (consideradas patrimônio imaterial do Brasil), pescarias familiares, rituais como a Festa de Aruanã e a Casa Grande (Hetohoky) – um rito de passagem –, além de enfeites plumários, cestaria e pinturas corporais com os característicos dois círculos na face. Sua sociedade é marcadamente matriarcal, onde a mulher detém grande poder.
Iny Xambioá
- Origem: Tradicionais habitantes da região do baixo Araguaia, nas proximidades de seu trecho encachoeirado.
- Residência: Divididos em cinco aldeias (Xambioá, Kurehê, Wary-Lyty, Hawa-Tymyra, Manoel Achurê) na margem direita do Rio Araguaia, no município de Santa Fé-TO.
- Cultura: Falam a mesma língua que os Karajás e Javaé. Apesar de um intenso decréscimo populacional e mudanças culturais, buscam ativamente implementar projetos para prestigiar aspectos mais tradicionais de sua cultura e afirmar sua identidade étnica.
Apinajé
- Origem: Residem na porção norte do Estado do Tocantins em uma reserva estabelecida em 1985.
- Residência: Sua reserva se estende pelos municípios de Tocantinópolis, Maurilândia, Araguatins e Lagoa de São Bento.
- Cultura: Autodenominados Panhi, integram o tronco linguístico Macro-Jê. Sua subsistência vem da agricultura, caça e coleta de babaçu. Destacam-se na produção artesanal de peças ornamentadas com sementes e miçangas, e mantêm expressivas tradições culturais como o Mêkaprî (ritual de restabelecimento do espírito) e o Pàrkapê (cerimônia em reverência aos falecidos, conhecida como Festa da Tora Grande).
Krahô
- Origem: Conhecidos como os senhores do Cerrado, habitam a região de Itacajá e Goiatins.
- Residência: Vivem na Terra Indígena Kraolândia, situada na região de Itacajá e Goiatins.
- Cultura: Pertencentes ao tronco Macro-Jê, suas aldeias são circulares, com um pátio central (Ká) que representa o coração da aldeia. São reconhecidos pela preservação de suas tradições e celebrações, como a corrida de toras de buriti e festividades como a Festa da Batata (Panti) e a Festa do Milho (Pônhê). Possuem como símbolo sagrado uma machadinha de pedra chamada Khoyré.
Krahô-Kanela
- Origem: Alegam descendência de duas etnias Timbira (tronco Macro-Jê) do Maranhão, de uma região conhecida como Bons Pastos.
- Residência: Após migrações e lutas judiciais, conseguiram a regularização da Terra Indígena em Lagoa da Confusão.
- Cultura: Buscam uma retomada dos conhecimentos tradicionais e de sua base cultural, incluindo a revitalização da língua materna, com apoio de instituições de ensino superior.
Kanela
- Origem: O termo refere-se a dois grupos Timbira distintos (Ramkokamekrá e Apanyekrá) que compartilham a mesma língua e base cultural.
- Residência: No Tocantins, habitam uma única aldeia, CRIM PATEHI, localizada na região da Mata Seca, no município de Lagoa da Confusão.
- Cultura: Apesar de apresentarem diferenças, os grupos têm uma base cultural Timbira comum. O nome “Kanela” pode se relacionar à estatura alta dos indígenas. Enfrentam dificuldades para se expressar em sua língua materna devido à influência não indígena e ao medo de perseguições.
Krahô Takaywrá
- Origem: Não especificada detalhadamente no texto, mas o grupo está em luta por reconhecimento e terra há mais de 16 anos.
- Residência: Vivem em condições de extrema insegurança em uma área de preservação permanente (APP), dentro do assentamento São Judas Tadeu, no município de Lagoa da Confusão, uma área provisória sujeita a alagamentos.
- Cultura: Embora não detalhada na matéria, a principal característica é a luta pela criação de uma reserva indígena e a resiliência frente às adversidades.
Akwê Xerente
- Origem: O povo autodenominado Akwê (“gente importante”) habita a margem direita do Rio Tocantins, próximo à cidade de Tocantínia.
- Residência: Vivem nas Terras Indígenas Xerente e Funil, com mais de 100 aldeias espalhadas na região de Tocantínia.
- Cultura: Pertencentes ao grupo linguístico Macro-Jê, sustentam-se pela roça de toco. Sua expressão artística se destaca pelo artesanato com capim dourado, palha de babaçu e seda de buriti. Mantêm tradições como o Wakê (Festa de dar nomes), o Kuprê (Homenagem aos mortos) e a corrida de toras de buriti.
Fulni-ô
- Origem: São originários do estado de Pernambuco, mais precisamente do município de Águas Belas.
- Residência: No Tocantins, residem na Aldeia Veredão, na zona rural de São Bento do Tocantins, próximo à Reserva Indígena Apinajé. As primeiras famílias chegaram em 1985, com integração em 2003.
- Cultura: São falantes da língua Ia-tê, considerada uma língua autônoma. Possuem um ritual fundamental denominado Ouricuri, no qual a língua ia-tê é preferencialmente falada. A prática cultural está diretamente ligada à tribo de origem em Pernambuco, com membros viajando anualmente para participar do ritual lá.
Tuxá
- Origem: Concentrados inicialmente na cidade de Rodelas, na Bahia, suas terras tradicionais na Ilha da Viúva (Rio São Francisco) foram submersas pela construção da hidrelétrica de Itaparica.
- Residência: Atualmente, mais de 115 Tuxás estão dispersos no estado do Tocantins, residindo em municípios como Formoso do Araguaia, Palmas, Gurupi, Sandolândia, Lagoa da Confusão, Tocantínia e Tocantinópolis. Chegaram ao estado em 1974.
- Cultura: Identificam-se como “tribo Tuxá, nação Proká, caboclos arco e flecha e maracá”. Possuem origens linguísticas desconhecidas. Continuam a se integrar à sociedade, mas mantendo a identidade.
Atikum
- Origem: Têm uma história de deslocamentos, originando-se do vale do rio São Francisco em 1696. Passaram por diversas regiões como Pajeú, Alagoas, Sergipe e Ceará.
- Residência: Atualmente, parte da etnia reside no Tocantins, especialmente em Gurupi (aldeia Alto dos Atikuns), Paraíso-TO, Miracema-TO e Araguaína-TO.
- Cultura: Também conhecidos como povo Umãs, praticam o “Toré”, rituais sagrados de agradecimento aos “encantados de luz”, utilizando a bebida sagrada “anjucá” (raiz da jurema macerada). Buscam o resgate cultural e a preservação da língua materna.
Awa Canoeiro
- Origem: Não especificada detalhadamente no texto, mas foram vítimas de um processo de quase dizimação devido à resistência ao contato com não indígenas.
- Residência: Pequenos grupos dispersos em aldeias Javaé (Canoanã e Boto Velho) e Karajá (Santa Isabel), uma família em Palmas e um grupo isolado no Parque Nacional do Araguaia (Ilha do Bananal). Também lutam por retorno ao território ancestral, a T.I Taego Ãwa, em Formoso do Araguaia.
- Cultura: Autodenominados Ãwa (“gente, pessoa”), são mais conhecidos como Cara Preta. Sua língua avá-canoeiro pertence à família tupi-guarani e eles aguardam o reconhecimento legal para retornar ao seu território ancestral.
Pankararu
- Origem: A Terra Indígena Pankararu está situada no sertão pernambucano, próximo ao rio São Francisco, sendo a aldeia mãe Brejo dos Padres Pankararu. A presença no Tocantins remonta à década de 50.
- Residência: No Tocantins, residem em centros urbanos como Gurupi, Palmas, Miracema e Figueirópolis.
- Cultura: Mantêm seus costumes, cultura, tradições, rituais de danças (Toré) e dialetos vivos. Apesar de reconhecidos como povo tocantinense pela Funai, enfrentam vulnerabilidade social e invisibilidade, e sua principal luta é a busca constante por uma terra demarcada no Tocantins.
Guarani
- Origem: Uma comunidade Guarany Mbyá deixou o Mato Grosso do Sul (Dourados) na década de 1960 em busca de Ywy Jú (Terra sem Males ou Terra Santa).
- Residência: Residem em uma única reserva indígena no Tocantins, localizada na Terra Indígena Xambioá, na região de Santa Fé do Araguaia, onde se integraram aos Karajás Xambioá.
- Cultura: Falam a língua Tupi Guarany e têm a crença em Ywy Jú como fundamental em sua religião. Mesmo após cerca de 50 anos, ainda lutam pelo reconhecimento de seus direitos constitucionais no Tocantins, incluindo demarcação de terras.
Warao
- Origem: Com uma história que remonta a mais de oito mil anos, são originários do delta do Rio Orinoco, na Venezuela.
- Residência: Migraram para o estado do Tocantins devido à crise em seu país. A localização exata no Tocantins não é especificada, mas o estado tem recebido uma parcela considerável.
- Cultura: O nome “Warao” significa “povo da água” em sua língua materna. São organizados em estruturas familiares matrilineares e extensivas, com a mulher desempenhando um papel central nas decisões do grupo.
Um Compromisso com a Diversidade
Este panorama destaca a pluralidade cultural e a diversidade étnica que enriquecem o Tocantins. As ações da Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais, especialmente o futuro Diagnóstico, reforçam o compromisso do governo em promover políticas públicas eficazes que garantam a proteção, a valorização e o desenvolvimento sustentável das comunidades indígenas, respeitando suas heranças e tradições.
Este texto foi elaborado com base na matéria publicada no portal do Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot), divulgada em 16 de abril de 2025. A publicação destaca as ações realizadas em benefício das 16 etnias presentes no estado, em celebração ao Dia dos Povos Indígenas, comemorado em 19 de abril. Entre as iniciativas mencionadas, estão os investimentos em educação, sustentabilidade, cultura, proteção social e valorização das comunidades indígenas.
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