Os primeiros exploradores do norte de Goiás, atual estado do Tocantins, enfrentaram diversos desafios durante suas expedições. A navegação no rio Tocantins, embora ainda enfrente desafios, já apresenta avanços significativos. O rio nasce no interior do Distrito Federal, no Planalto Central de Goiás, sendo formado pelos rios Almas e Maranhão. Com cerca de 2.400 km de extensão, ele se dirige para o norte do país, passando por diversos estados, até desembocar na Baía de Marajó (PA). Atualmente, a navegação no rio é essencial para o escoamento da produção agrícola, principalmente através de grandes barcaças.
O projeto da Hidrovia Tocantins, que visa melhorar a navegação, não é novo. Seus estudos começaram na década de 1970, sendo retomados na década de 1980 e atualizados desde então. Para sua plena implementação, faltam apenas ajustes ambientais, sinalização e algumas pequenas obras. A bacia do rio tem sido mais utilizada até o momento para abastecimento público e geração de energia elétrica, através das hidrelétricas de Serra da Mesa (GO), Cana Brava (GO), Lajeado (TO) e Tucuruí (PA). No entanto, a navegação hidroviária ainda não é totalmente explorada, sendo limitada pela falta de eclusas que permitiriam a passagem das barcaças pelos reservatórios dessas usinas.
Historicamente, o Tocantins foi explorado desde o final do século XVI. Os franceses, no Maranhão, foram os primeiros a explorar a foz do rio e a denominá-lo, em referência à tribo indígena local. Entre 1594 e 1615, expedições francesas avançaram pelo Tocantins, fundando a vila de Cametá e explorando o rio até a confluência com o Araguaia, em 1613. A partir de 1625, os jesuítas portugueses também realizaram expedições pelo rio, com o padre Cristóvão de Lisboa sendo o primeiro a navegar pelo Tocantins. Durante o século XVII, os bandeirantes paulistas intensificaram a exploração da região, em busca de índios para escravizar e ouro nas margens do rio. No início do século XVIII, a pecuária chegou ao alto Tocantins e, por volta de 1734, as expedições mineradoras e de desbravamento se expandiram pela região, promovendo uma maior integração do interior do Brasil com o norte, através do Tocantins.
A história da exploração do rio continua a ser marcada por expedições missionárias, que se organizaram de forma sistemática a partir de 1653, com o padre Antônio Vieira à frente. Ele e outros jesuítas estabeleceram missões nas margens do Tocantins, contribuindo para o conhecimento da região e da navegabilidade do rio, que até hoje segue sendo uma via de transporte importante para a região Norte do Brasil.
A história do nascimento do rio Tocantins, construída pelos índios, mistura fantasia e poesia, refletindo a relação humana com a natureza, marcada por dualidades e intervenções constantes. Segundo Kátia Maia Flores (2021), os estudos sobre os rios, como o Tocantins, mostram como eles influenciam tanto a história social quanto a ambiental, além de refletirem as mudanças nas relações sociais ao longo do tempo. O nome “Tocantins” remonta a diferentes povos indígenas, mas sua origem permanece incerta. Dentre esses povos, destacam-se os Tacamedus (habitantes das margens do rio Tocantins), Tacandiras (sinônimo de Tocandiras), Tacanhunas, Tocanos, Tocantis, Tocanos, Tucanos, entre outros.
Estudos sobre o uso dos recursos naturais, como os rios, destacam a percepção de que esses bens, especialmente os rios, são de grande importância para o futuro do Brasil. Contudo, conforme apontado por José Augusto Pádua (2019), as políticas públicas não seguiram essa percepção, com os recursos naturais sendo subvalorizados, especialmente em relação a outros bens como minérios e florestas.
Referências
CORDEIRO, Wanderson Ferreira. A Terra do Tocantins: um estudo completo em questões. Palmas, 2025.
FLORES, Kátia Maia. Caminhos que andam: o rio Tocantins e a navegação fluvial nos sertões do Brasil. 2021.
PÁDUA, José Augusto. Um sopro de destruição: O pensamento político e a crítica ambiental no Brasil escravista. 2019.
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