A.C. & D.C.
O que os cristão hoje comemoram — domingo, 20 de abril de 2025, aconteceu uma única vez e não mais.
Nosso mundo cansado nunca havia visto algo assim.
Este evento foi uma surpresa tão maravilhosa que foi realizada uma grande trama para ocultá-lo. O túmulo estava vazio, o corpo daquele que havido sido crucificado não estava no lugar aonde fora deixado, os guardas não sabiam explicar o que havia acontecido, quem ousaria desafiar Roma e os Sacerdotes, Escribas e Fariseus? Mas, o mais impressionante do que o fato do corpo de Jesus não estar no sepulcro é o fato de os corpos dos ladrões continuaram como estavam, tão mortos quanto os mortos antes deles e inertes quanto os que vieram após eles, até hoje os mortos continuam no seu lugar.
O mundo ainda não havia visto algo assim, a ressurreição marcou a história.
Infelizmente, os discípulos, não foram capazes de entender o que havia acontecido, mesmo que o Senhor Jesus Cristo já tivesse revelado o final:
Marcos 8.31 | “Então ele começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas e fosse rejeitado pelos líderes religiosos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos mestres da lei, fosse morto e três dias depois ressuscitasse”.
Marcos 9.31 | “porque estava ensinando os seus discípulos. E lhes dizia: “O Filho do homem está para ser entregue nas mãos dos homens. Eles o matarão, e três dias depois ele ressuscitará”.
Maros 10.34 | “que zombarão dele, cuspirão nele, o açoitarão e o matarão. Três dias depois ele ressuscitará”.
E assim como Ele anunciou, assim se cumpriu e Jesus Cristo Ressuscitou — o coração estava batendo, os pulmões estavam bombeando ar, o cérebro e suas cognições neurais estavam funcionando, as suas pernas andando, sua boca falando — não poderia ser nada menos que uma surpresa. A maior surpresa que o mundo já viu.
Preste atenção à narrativa da ressurreição!
Surpreenda-se com a forma como Jesus surpreendeu seu povo!
Jesus Cristo, não saiu correndo do túmulo gritando: “RESSUSCITEI, ESTOU VIVO! EU ESTOU VIVO”! Como se aquilo fosse uma surpresa para Ele, como se fosse inesperado.
Em três histórias distintas, — com Maria, com Pedro e com os dois discípulos na estrada de Emaús — Jesus não se revela imediatamente. Ele espera. Ele se demora. Ele até se esconde. E então, de maneiras profundamente pessoais, Ele surpreende.
Alguns de nós acordamos neste Domingo de Páscoa com uma necessidade desesperada de que este mesmo Jesus nos ofereça uma surpresa semelhante. Declaramos hoje que Jesus Ressuscitou, que Ele Ressuscitou de fato. Mas, por uma razão ou outra, podemos nos encontrar presos nas sombras do sábado.
Talvez seja por alguma tristeza profunda.
Talvez seja por alguma culpa antiga nos corroa.
Talvez seja por alguma confusão que tenha invadido a nossa alma.
Talvez, para você, nosso Senhor, embora ressuscitado, pareça escondido.
Convidamos você a parar por um momento e observar estas três histórias e considerar como o Senhor do sepulcro vazio ainda adora surpreender o seu povo. Como na primeira Páscoa, Ele ainda se deleita em trocar nossa tristeza por alegria, nossa culpa por perdão, nossa confusão por clareza.
TRISTEZA SURPREENDIDA PELA ALEGRIA
Talvez, neste domingo, alguma longa tristeza pareça impassível diante do túmulo vazio. O sol da Páscoa parece ter parado logo abaixo do horizonte de alguma parte obscura da sua vida — algum amor perdido, alguma longa e dolorosa espera.
Talvez você se lembre das palavras de Jesus: “A vossa tristeza se transformará em alegria” (João 16.20), mas você ainda sente a tristeza, ainda busca a alegria.
Talvez você ainda fique no túmulo com Maria Madalena. Outros vieram e se foram, mas ela espera, chorando (João 20.11). Ela viu a pedra removida, o túmulo ausente e a comitiva angelical de seu Senhor Ressuscitado — e agora, o próprio Jesus está perto dela.
Embora ela O veja, ela não O vê, “Ela não sabia que era Jesus” (João 20.14). Ela lamenta diante do Senhor da santa alegria, sem saber quão cedo sua tristeza desaparecerá. E por mais alguns momentos, Jesus espera.
Ele a atrai com uma pergunta: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” (João 20.15). Ela oferece sua resposta, supondo que esteja falando com um jardineiro. E então, em um momento, com uma palavra, a máscara cai. As sombras se rompem, o sol nasce, a tristeza faz sua repentina reviravolta feliz. Como? “Disse-lhe Jesus: Maria” (João 20.16). Uma palavra, um nome, e este Jardineiro faz florescer flores de suas lágrimas caídas. “Rabôni”! ela grita — e não chora mais (João 20.16).
Ao contrário de Maria, você sabe que seu Senhor, Jesus Cristo, ressuscitou. Mesmo assim, por enquanto, você pode se sentir curvado e quebrado. Vendo Jesus, mas não o vendo. Sabendo que Ele Vive, mas sem saber onde Ele está. Talvez até ouvindo Sua voz, mas está tão triste que supõe estar ouvindo a voz de outra pessoa.
Caro cristão, o Cristo ressuscitado não fica de braços cruzados enquanto seus entes queridos choram. Ele pode demorar um momento, mas permanece perto o suficiente para ver suas lágrimas e ouvir seus gritos — perto o suficiente para dizer seu nome e surpreender sua tristeza com alegria.
Continue esperando, e Ele falará — mais cedo ou mais tarde, aqui ou no céu. E até lá, Ele não está longe. Mesmo escondido, Ele ressuscitou, e vai falar no momento certo, para dissipar a mais profunda tristeza guardada, que te faz chorar, Ele ouve seu clamor, Ele entende suas palavras, Ele enxugará toda sua lágrima.
CULPA SURPREENDIDA PELO PERDÃO
Talvez, para você, a tristeza seja apenas uma nota em uma canção diferente e mais sombria.
Você pecou — e não de forma insignificante. As suas ações e as palavras da sua boca chocaram até você próprio: “Como pude fazer isso”? E neste Domingo de Páscoa você sente, por causa do seu pecado, como se tivesse carregado os pregos para os soldados ou, quem sabe, sente até mesmo como que você próprio tivesse pregado a Cristo na Cruz.
E por cauda desta dor, por causa do peso do pecado, parece que nem a Páscoa pode curá-lo.
Você se sente no barco com Pedro. Ele sabe que seu Senhor ressuscitou — e, de fato, até ouviu a esperança do próprio Jesus. “A paz esteja convosco”, disse o Mestre aos seus discípulos (João 20.19). Mas, esse “vós” estava no plural. Pedro precisava de algo a mais, algo pessoal, para lavar as manchas do próprio pecado cometido na Sexta-Feira Santa.
E assim Jesus está na praia — ressuscitado, escondido, e novamente com uma pergunta: “Filhos, vocês têm alguma coisa para comer”? (João 21.5). Estas são palavras para despertar a memória (Lucas 5.1-4), “mas os discípulos não sabiam que era Jesus” (João 21.4). Não, ainda não. Ele permitirá que Pedro sinta as redes vazias da noite por mais alguns momentos, e então a surpresa virá. E então ele se revela, desta vez não com um nome, mas com peixes — muitos peixes, na verdade (João 21.6).
Então, depois de alimentar seus homens, ele conduz Pedro ao arrependimento pessoal e, como se tudo tivesse sido esquecido, o chama novamente: “Siga-me” (João 21.19).
Que Jesus transforma nossa tristeza em alegria é uma das maiores maravilhas da Páscoa. Mas, talvez a alegria ainda maior seja que Ele transforma nossa culpa em inocência — que Ele aborda nossos momentos mais pecaminosos e vergonhosos de forma tão pessoal, que lave nossas almas com a mesma humildade e ternura com que lavou os pés de seus discípulos.
O processo, no entanto, pode levar algum tempo. Podemos não sentir o Seu perdão imediatamente, e Ele nem sempre quer que o sintamos. Às vezes, Ele se esconde por alguns momentos ou alguns dias. No entanto, ao fazê-lo, Ele prepara o cenário para uma surpresa tão boa que também podemos sentir vontade de pular no mar (João 21.7). Nosso Senhor está aqui, trazendo graça e misericórdia, precisamos ir até Ele. Vá até Cristo, Ele ressuscitou!
CONFUSÃO SURPREENDIDA PELA CLAREZA
Talvez você não encontre nem tristeza nem pecado afligindo você nesta Páscoa, mas sim outro tipo de espinho, uma dor que pode penetrar fundo o suficiente para te levar à loucura: a confusão.
A vida não faz sentido. A lógica falha. Os caminhos de Deus parecem não apenas misteriosos, mas labirínticos. E você se pergunte: “quem pode desatar esses nós ou encontrar um caminho através deste labirinto”?
Caminhe com os dois discípulos em direção a Emaús. “Nós esperávamos que ele fosse o único que iria redimir Israel”, você os ouve dizer (Lucas 24.21). Sim, esperávamos. Mas, não mais. Três pregos e uma lança roubaram o fôlego daquele sonho. Agora tudo o que resta é confusão, um corpo e sangue e um sepultamento de tudo o que parecia bom, certo e verdadeiro. Se não Jesus, então quem? Então como? Nós pensávamos que ele era o único.
Mas então, “Aquele” mesmo “se aproximou e foi com eles” (Lucas 24.15). Novamente Ele faz uma pergunta: “Que conversa é essa que vocês estão tendo”? (Lucas 24.17). E novamente Ele se esconde: “Seus olhos estavam impedidos de reconhecê-lo” (Lucas 24.16). Assim eles andam, assim eles falam, assim eles espalham sua confusão por toda a estrada de Jerusalém a Emaús. Sim, eles ouviram que seu corpo havia sumido, ouviram até mesmo um relato de sua ressurreição (Lucas 24.23-24). Mas ainda assim, eles simplesmente não conseguem entender tudo isso.
Mas, oh, como Jesus pôde! Então, com uma repreensão rápida e terna, uma lição nas Escrituras e um rosto revelado sobre o pão partido, Ele pega seus pensamentos fragmentados e os organiza em uma visão de clareza surpreendente e impressionante. Então, “Ele desapareceu” (Lucas 24.31), levando consigo toda a confusão deles. “Não ardia o nosso coração dentro de nós”? perguntam uns aos outros (Lucas 24.32). Cristo havia ressuscitado, e a clareza que eles não podiam imaginar havia caminhado com eles, falado com eles e os amado em direção à luz.
Nossos corações hoje podem transbordar de perguntas, algumas que parecem sem resposta. Mas, o Jesus ressuscitado não conhece perguntas sem resposta. Ele pode resolver cada enigma em cada canto de cada coração humano — mesmo que, por enquanto, caminhe ao nosso lado incógnito.
NOSSA SURPRESA FINAL
Vivemos hoje em uma terra intermediária. Jesus ressuscitou, mas ainda não O vemos. Jesus vive, mas ainda não tocamos a marca dos pregos em Suas mãos. Se somos dEle, porém, um dia O veremos, O tocaremos. Essas histórias nos dão motivos para esperar naquele dia uma surpresa final e culminante.
Se ouvir a palavra de Jesus pela fé pode elevar o coração mais pesado, que tristeza resistirá à sua voz audível e ao novo nome que ele nos dará (Apocalipse 2.17)? Se agora mesmo experimentamos o alívio dos pecados perdoados e da condenação perdida, o que acontecerá quando ele colocar um manto branco sobre nossos ombros e tornar o pecado impossível? E se temos momentos aqui de brilhante clareza, então o que acontecerá quando as névoas se dissiparem completamente, quando a própria Verdade estiver diante de nós e quando todo engano desaparecer como um pesadelo?
Então veremos o que um Cristo ressuscitado pode fazer. Seus tratos com Maria, com Pedro, com os discípulos de Emaús — estes não são apenas os limites do Seu poder, os limites dos nossos caminhos. Portanto, continue esperando, caro cristão. No momento certo, ele dirá o seu nome. Ele aparecerá na margem das suas orações tão repetidas. Ele caminhará com você pela estrada da confusão e da perda até que você alcance uma mesa melhor, e ao partir o pão você verá o seu rosto.
FELIZ PÁSCOA
por Jefferson Ribeiro
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