O uso do cartão de crédito pode acarretar a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em certas situações, embora não incida sobre compras nacionais à vista ou parceladas pagas em dia. O IOF é aplicado, por exemplo, em operações como compras internacionais, saques com cartão de crédito, uso do crédito rotativo e no parcelamento da fatura.
O aumento do IOF incide de forma uniforme sobre diversas operações financeiras, incluindo empréstimos de curto prazo, que são amplamente utilizados por famílias de baixa renda. Por ser um imposto regressivo, ele representa uma parcela proporcionalmente maior da renda dos mais pobres, dificultando ainda mais o acesso ao crédito essencial para suprir necessidades básicas.
Além disso, ao encarecer o crédito, o IOF eleva o custo dos bens financiados e pode pressionar a inflação, impactando de forma desproporcional os consumidores de menor renda. As famílias mais vulneráveis, que dependem especialmente do crédito emergencial e consignado, acabam pagando maiores juros e impostos relativos, o que agrava sua vulnerabilidade financeira e limita seu consumo e bem-estar.
Essas cobranças têm gerado debates, especialmente após o governo federal sinalizar mudanças na taxação de produtos e serviços financeiros, dentro de uma estratégia mais ampla de reequilíbrio fiscal.
Disputa política e comunicação do governo
A nova política tributária vem acompanhada de uma campanha de comunicação organizada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), com apoio do Palácio do Planalto. Na última quarta-feira (2), cerca de 270 influenciadores digitais participaram de uma reunião virtual para dar apoio à chamada “campanha taxação BBB” – que mira bilionários, bancos e casas de apostas online (bets).
A estratégia do governo Lula tenta contrastar o atual discurso da oposição com medidas adotadas durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Petistas têm relembrado o decreto de 2021, que aumentou temporariamente a alíquota do IOF — de 3% para 4,08% para pessoas físicas e de 1,5% para 2,04% para pessoas jurídicas — com o objetivo de financiar o programa Auxílio Brasil, que substituiu o Bolsa Família.
No entanto, é importante lembrar que a medida foi adotada em meio à pandemia de COVID-19, com caráter emergencial e temporário. O contexto de crise sanitária e social justificava, à época, medidas excepcionais. Mesmo assim, a decisão foi levada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que a considerou constitucional.
Petistas argumentam que, apesar do impacto, não houve forte reação do Congresso Nacional, nem tentativas relevantes de judicialização. Críticos, por outro lado, questionam se o mesmo grau de tolerância se aplica hoje, em um cenário sem pandemia, e com medidas que podem onerar a população de baixa renda de forma permanente.
Chegando ao ponto de convocar o que, em outros governos, seria chamado de “gabinete do ódio” e “milícias digitais.” O Partido dos Trabalhadores (PT) convocou influenciadores digitais nesta quarta-feira, 2, para reforçar a nova estratégia de comunicação do governo Lula. Com apoio do Palácio do Planalto, a cúpula do partido reuniu cerca de 270 criadores de conteúdo e apoiadores em uma reunião virtual, com o objetivo de impulsionar a “campanha taxação BBB” — que mira bilionários, bancos e casas de apostas (bets). Especialistas, no entanto, criticam a estratégia e apontam seu “impacto incerto” (AGÊNCIA ESTADO, 2025).
Com apoio direto do Palácio do Planalto, a cúpula do partido promoveu uma reunião virtual com cerca de 270 criadores de conteúdo e apoiadores, com o objetivo de impulsionar a “campanha da taxação BBB” – que mira bilionários, bancos e casas de apostas (bets).
Especialistas, no entanto, criticam a estratégia e alertam para seu “impacto incerto” na prática. A movimentação ocorre enquanto o governo tenta construir a narrativa de que o Congresso não reagiu a medidas semelhantes adotadas durante a gestão anterior. Ao mesmo tempo, a militância foi orientada a reforçar o discurso de “ricos contra pobres”, como forma de mobilizar apoio nas redes sociais e justificar as novas medidas de arrecadação.
Especialistas veem impactos incertos e possível efeito regressivo
Apesar do discurso político, economistas e especialistas alertam para o possível impacto regressivo do IOF, principalmente em relação ao uso do cartão de crédito. “A população de baixa renda é quem mais depende do parcelamento e do crédito rotativo para fechar o mês. Com a incidência do IOF, esses grupos acabam pagando mais”, explica um tributarista ouvido pela reportagem.
Outro ponto de atenção é que grandes empresas podem repassar os custos tributários para os preços de produtos e serviços, fazendo com que, indiretamente, o ônus recaia novamente sobre os consumidores de menor poder aquisitivo.
Servidores públicos com salários menores, que recorreram a empréstimos ou renegociação de dívidas via cartão de crédito, também estão entre os mais afetados.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias do Portal de Notícias no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.




Deixe o Seu Comentário